• Virgínia L. S. Levy

Preciso de tratamento para dependência química? Quem pode me ajudar?

Atualizado: 2 de Jun de 2020

Muitas pessoas que fazem uso de drogas já foram julgadas como dependentes e já ouviram de outras pessoas que precisavam de tratamento para a "dependência química”. Este termo, embora comum, muitas vezes pode atrapalhar a compreensão correta da situação, tanto pela própria pessoa que faz uso das "substâncias químicas" psicoativas quanto de seus familiares e amigos.


Quando falamos em “química”, podemos pensar que a questão é simplesmente biológica: uma substância vem e se instala em nosso corpo, como um parasita, e começa a controlá-lo. Este sentido é reforçado pela palavra “dependência”, que aponta para um aprisionamento em que, sem a substância química, o corpo já não pudesse viver.


Seguindo esta lógica, o problema do uso exagerado de álcool e outras drogas estaria apenas na relação orgânica entre o corpo e a substância. A questão, no entanto, é bem mais complexa que isso.


Uso de álcool e outras drogas: uma questão de contexto de vida


Em meu livro “Narrativas de usuários de crack: o dizer sobre si e o mundo através do audiovisual”, acompanho o processo de 5 ex-usuários de crack, que contaram suas histórias de vida em vídeos de curta metragem e conversaram comigo sobre esta experiência.


Durante esta pesquisa, foi possível perceber que o crack não entrou na vida destas pessoas como algo que contrariava suas histórias de vida; ao contrário, fazia sentido diante das dificuldades psicológicas e sociais que enfrentavam e das relações sociais que possuíam.


Assim, o consumo apareceu como apenas mais um dos (poucos) meios possíveis daquela pessoa agir no mundo, lidar com ele. Do mesmo modo, pesquisas com outros grupos mostram que o consumo problemático está relacionado a uma série de fatores, como as relações familiares, a inserção social, a vulnerabilidade sócio-econômica e o acesso a oportunidades e serviços de promoção de saúde.


Responda a essas perguntas e faça uma autoavaliação:


Assim, para além de se perguntar apenas se você está ou não quimicamente dependente de uma substância, a pessoa que pode estar fazendo um uso abusivo precisa olhar para suas relações, seu modo de vida e fazer uma autoavaliação.


1 - Mesmo quando não apresenta sintomas de síndrome de abstinência (como o tremor ao acordar, por exemplo), é importante se perguntar que lugar o consumo ocupa em sua vida. Ele é algo esporádico, é muito frequente, ou é o personagem principal, aquilo de que jamais se abre mão?


2 - Pessoas e oportunidades importantes para mim são deixados de lado porque acabo sempre escolhendo consumir a substância, a ponto de ficar sem condições de cumprir outros desejos e compromissos que assumi de bom grado?


3 - Estou deixando de buscar melhorar algo em minha vida, e sufoco a dor de não mudar usando a substância?


Caso perceba, ao tentar responder estas perguntas, que este consumo tem sido desfavorável, é momento de repensar no padrão de consumo e tomar decisões.




Quem pode me ajudar no tratamento da dependência química?


Durante o processo de reflexão sobre seu padrão de consumo, você pode perceber que é melhor buscar auxílio ou orientação para reorganizar seu modo de vida. Para isso, há diferentes opções de suporte que podem auxiliar você, independente do momento em que você esteja ou mesmo em que parte do país você more.


Ajuda em grupos online

Você pode entrar em comunidades online de pessoas que vivem ou já viveram momentos semelhantes àquele em que você se encontra. Essas comunidades ajudam através da troca de experiências, e também recebem acompanhamento de profissionais da psicologia para evitar assuntos fora da temática, ou que prejudiquem a comunidade.


Ajuda individual

Outra possibilidade é procurar um(a) psicólogo(a) que possa analisar individualmente todas as variáveis envolvidas em sua vida, compreender a relação entre você, o mundo e a “substância”, e ajudá-lo(a) a dar mais passos em uma jornada terapêutica com mais qualidade de vida.


Mesmo que seu cenário relacionado ao uso da substância esteja estável, procure estar sempre atento às situações de vida, ou ainda aos seus "padrões de comportamento", para ter mais clareza sobre seus altos e baixos e como eles se relacionam com seu consumo. Além disso, é interessante manter em contato com instituições e profissionais de referência que possam ajudá-lo, qualquer que seja a sua necessidade neste momento.



Startup incubada com carinho no CocreationLab em Florianópolis - SC.

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